domingo, 27 de março de 2011

Citações cujo conteúdo inclui a palavra-chave “silêncio”


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"Ler obriga cada um a ter um encontro consigo próprio, no tempo em que voluntariamente, ou pela mão de outrem, se entrega a um silêncio que mais não é do que o preenchimento da sua forma de sentir e, depois, pensar, através das emoções que a escrita de outro lhe revela e desenvolve. Ler é, por isso mesmo, um ato único de cada um entrar em contato com partes muito profundas de si próprio, e disso encontrar eco ou amplidão e assim, no fundo, crescer, e fazê-lo de uma forma frequentemente mais aberta, crítica, amorosa ou humorística na relação consigo e com tudo o que o rodeia".

"Ler também implica outra questão fundamental no equilíbrio afetivo de todos, expressa na capacidade de estar só, na importância de alguém se escutar a si mesmo nos seus silêncios, de se organizar perante a ausência, de comunicar mentalmente através de uma linguagem não falada e de a ela conseguir ligar as representações afetivas que a leitura sugere. Quem lê sente e quando alguém sente tem que, automaticamente, saber digerir o impacto dessas mesmas emoções".

"Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é. Porque nos permite escrever o livro melhor, como leitor".

"O silêncio só é silêncio quando não somos capazes de escutar com o coração".

"Os problemas, vistos no meio da agitação, tornam-se mais graves. No silêncio, contudo, acabam por tomar a sua verdadeira dimensão e, mesmo que nos angustiem, deixam de ter o peso que tinham".

"O silêncio é uma das formas mais poderosas de evitar a ansiedade e o stress".

"Os silêncios são das maiores forças do crescimento psíquico. Representam tempos de pacificação, de resolução de conflitos, de reencontro, mas também são espaços de abertura, portas abertas à comunicação e ao preenchimento do que existe à nossa volta. Surpreendem. Marcam. Fazem adormecer, tanto quanto fazem sonhar".

"Silêncio é um esquecimento mental que nos permite comunicar profundamente com alguém".

"A linguagem é apenas uma parte da realidade que conseguimos tirar ao silêncio para nos abrirmos melhor".

"Há momentos a que a uns convém que se fale, a outros que se faça silêncio. Nas sociedades democráticas, não há nunca silêncio, porque o silêncio fala, embora também possa apenas haver ruído".

"Muitas vezes, a memória torna-se clemente com as coisas que, sendo tristes, não são nem preponderantes nem indiferentes para nós. As coisas tristes não precisam de ser episódios que nos sangrem na alma. Estão por ali. Não as conseguimos ignorar nem as queremos esquecer: acompanham-nos como o som, fanhoso, de um rádio antigo que atropela todas as tentativas de saborear um silêncio. As coisas tristes não nos deprimem nem nos amarguram, por exemplo. E isso é bom. Mas adormecem e põem-nos de costas para o futuro. E isso é péssimo".

"Ao menos o aldrabão, através das palavras que nos deixa, pode ser analisado e confrontado. O calado, em contrapartida, está protegido. Não tendo falado, não mentiu. Mantendo o silêncio, não induziu ninguém em erro. E, caso tenha induzido, a culpa obviamente não foi dele..."

"Em democracia, ter opinião é mais uma obrigação do que um direito. Não ter medo de dizer alguns disparates não representa um ato de coragem. O que não ajuda o país são os silêncios da conveniência".

"Em Portugal, receia-se o exercício de liberdade que é responsabilidade e direito da seleção. Envolve-se o ato por manto diáfano de legislação, subvertido por regimes de excepção, por onde passa, sub-reptícia e silenciosa, a arbitrariedade".

domingo, 20 de março de 2011

Poetificando - Heloisa Trad



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poetificando

SOMENTE O POETA FALA DO INDIZÍVEL. SÓ O POETA COM SUAS PALAVRAS PRENHES, NUM SILÊNCIO VISADO PELAS IMAGENS POÉTICAS, É PROJETADO A PARTIR DA PRÓPRIA POESIA. E ISSO IMPLICA EM QUE ELE CONSTITUI, NAS SUAS RAMIFICAÇÕES INTERNAS, O SILÊNCIO COMO UM OUTRO EM DIREÇÃO AO QUAL ESTÁ O CAMINHO, ESTÁ ESSE 'OUTRO', O PROJETO - QUE É O SENTIDO - DE UMA LINGUAGEM ARTICULADA QUE NÃO PODE ABSORVÊ-LO SEM SE ANIQUILAR. O SILÊNCIO FALA! SÓ O POETA FALA DESSE SILÊNCIO QUE DIZ O NÃO-DITO...

http://poetificando.blogspot.com

A Prece Silenciosa - Geoffrey Hoppe


“A oração Silenciosa é um reconhecimento de Tudo O Que É. Nesta oração eu sei que tudo que eu evoquei foi ouvido pelo espírito e que me foi dado tudo aquilo que pedi.
É um reconhecimento de que minha alma é completa no amor e na graça de Deus.
É um reconhecimento de meu total estado de perfeição e de Ser. Tudo aquilo que desejo, tudo o que quero co-criar, já esta dentro de minha realidade.
Eu a chamo de Prece Silenciosa porque sei que meu ser já está realizado.
Não há necessidade de pedir nada ao espírito, porque tudo já lhe foi dado.”

“Em meu coração, eu aceito meu Ser Perfeito.
Eu aceito que a alegria que  eu quis já esta em minha  vida.
Eu aceito que o amor que rezei por ter já está dentro de mim.
Eu aceito que a paz  que pedi já faz parte de minha realidade.
Eu aceito que a abundância que procurei já preenche minha vida.

Em minha verdade, eu aceito meu Ser Perfeito.
Eu assumo responsabilidade por minhas próprias criações,
E todas as coisas que estão dentro de minha vida.
Eu reconheço o poder do espírito que está dentro de mim,
E sei que todas as coisas são como devem ser.

Em minha sabedoria, eu aceito meu Ser Perfeito.
Minhas lições foram cuidadosamente escolhidas por mim mesmo,
E agora eu caminho por elas em completa experiência.
Meu caminho me leva em uma jornada sagrada com propósito divino.
Minhas experiências se tornam parte de tudo que há.

Em meu conhecimento, eu aceito meu Ser Perfeito.
Neste momento, eu me sento em minha cadeira de ouro
E sei que sou um anjo de luz.
Eu olho sobre a bandeja dourada - o presente do
espírito -
E sei que todos os meus desejos já foram realizados.

Em amor por mim mesmo, eu aceito meu Ser Perfeito.
Não faço julgamentos nem ponho fardos sobre mim mesmo.
Eu aceito que tudo em meu passado foi dado em amor.
Eu aceito que tudo neste momento vem do amor.
Eu aceito que tudo no meu futuro resultará sempre  em amor maior.
Em meu ser, eu aceito minha perfeição.
E assim é.”

Geoffrey Hoppe 

domingo, 13 de março de 2011

O Silêncio dos teus olhos - José Manuel Alves


Dos teus olhos, o silêncio
São as palavras mais eloquentes
Frases perdidas em erupção
Frêmito
mudo ecoando na noite

Em que o meu corpo bebe do teu
O segredo das almas incompreendidas.


Dos teus olhos, o silêncio
São as carícias mais alucinantes
As frases mais misteriosas
Escritas em letras garrafais
Que só os meus olhos perscrutam
Na expressão calada
Com que me atravessas.


Dos teus olhos, o silêncio
São as mãos mais delicadas
Dos afagos mais serenos e sedentos
Enlouquecidas, vagueando lentas
No meu corpo embriagado e entontecido
Ardendo na febre da ansiedade.


Dos teus olhos, o silêncio…
São as pérolas mais preciosas do teu rosto
Sol alegre e quente de Verão
Como bênção, acalmando
A irrequietude da minha alma
Que ante ti se deslumbra e ilumina.


José Manuel Alves

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sonho o Silêncio - Heloisa Trad

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Nada é como os sonhos sonhados
em gavetas acondicionados
e, finalmente, descartados

No grande vazio
sonho pensado, moldado, surge
invisto nesse espelho de mim mesma
evito os pedregulhos espalhados no caminho
carrego um grande guarda-chuva
resguardo-me de qualquer respingo
e de repente, de novo, a expectativa criada
desvanece como nuvens
no anoitecer dos meus pensamentos

Agora quero muros de silêncio
que aparem qualquer rajada de vento
e permitam o meu dormitar sem conhecimento
sem esperar nenhum acontecimento
livre de excessivas, vazias e inúteis palavras
silêncio! Sonho o silêncio...

Cocais, janeiro/2008
Heloisa Trad

O Silêncio é a Oração - Osho

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Se você for ao templo e sua oração se tornar um desejo, ela jamais será ouvida, pois uma oração só é possível quando o desejo não estiver presente. Um desejo jamais pode se tornar uma oração. Se você pedir algo, você perderá; não estará orando. E Deus sabe quais são suas necessidades.

Havia um santo Sufi, Bayazid, que costumava dizer sempre: "Deus sabe do que preciso, por isso nunca orei — porque é tolice! O que dizer a Ele? Ele já sabe. Se eu digo algo que Ele já sabe, é tolice. Se tento achar algo que Ele não sabe, também é tolice. Como é que você pode pensar uma coisa dessas? Por isso, simplesmente nunca me preocupei. Tudo que preciso, Ele sempre me dá".

Mas, naquela época, ele era muito pobre, faminto, rejeitado na cidade por onde passava. Ninguém estava disposto a lhe dar um abrigo para a noite. E a noite estava escura e ele estava sentado sob uma árvore; fora da cidade era perigoso.

E um discípulo disse: "O que dizer dessa situação? Se Ele sabe que Seu amado Bayazid está em tal apuro — que a cidade o rejeitou, que está com fome e sem comida, sentado sob uma árvore, com animais selvagens à volta, sem poder dormir — de que tipo de Deus você está falando, que sabe de tudo que você necessita?"

Bayazid sorriu e respondeu: "Ele já sabe que é isto o que preciso neste momento. Esta é a minha necessidade! De outra forma, como? — porque eu deveria estar assim? Deus sabe quando você necessita da pobreza", disse Bayazid, "e quando você necessita da riqueza. E Deus sabe quando você precisa jejuar e quando você precisa participar de um banquete. Ele sabe! E esta é minha necessidade neste exato momento".

Você não pode pedir. Se o fizer, não lhe será concedido. No próprio pedir, você prova que não é capaz de recebê-lo.

A oração deveria ser silenciosa. O silêncio é a oração. Quando as palavras chegam, os desejos imediatamente as sucedem — porque as palavras são o veículo do desejo. No silêncio, como você pode desejar? Já tentou? No silêncio você pode desejar alguma coisa?

Como pode desejar, estando em silêncio? A linguagem será necessária, todas as linguagens pertencem ao reino do desejo. Daí a insistência, de todos os que sabem, a respeito de permanecer em silêncio, porque somente quando não há palavras na sua mente é que o desejo cessa; de outro modo, o desejo estará escondido atrás de cada palavra.

Osho, em "Antes que Você Morra"

Abandonando as Palavras - Osho

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“Lentamente, a pessoa precisa ir abandonando as palavras e entrar no silêncio. E isso não é difícil: uma vez que você tenta mover-se nessa direção, isso começa a acontecer. A realidade é quando todas as palavras desapareceram, quando você não está pensando mas você apenas é... quando não há nenhuma nuvem de pensamentos na mente senão consciência pura, desanuviada, um céu sem nuvens. Quando não há nenhum pensamento não há nenhum tremor, nenhum vento soprando. Tudo fica tranqüilo e quieto. Nessa quietude, a gente penetra a realidade. Realidade não pode ser pensada. Você pode vê-la, mas não pode pensar sobre ela. Pensar sobre a realidade é afastar-se para longe dela, porque o que quer que você pense estará errado. Pensar é errado”.


Você vê uma rosa. O que você pode pensar sobre ela? No momento que você disser que ela é bela, você se afastou para longe da rosa, de sua facticidade, de sua realidade. Agora a mente penetrou nisso, ela diz que é bela. Agora a palavra bela irá criar muitas outras associações, uma corrente começará. Você esquecerá da flor, você irá pensar sobre o homem que você costumava achar bonito ou um poema que você achava lindo. A flor fica esquecida. Agora você tomou um trem de pensamentos. Ele é interminável e a gente nunca sabe onde a gente vai parar.

- “Quando você estiver perto de uma flor apenas fique com ela. Não deixe que nenhuma palavra se interponha entre você e a flor: veja aquilo que é. Apenas veja, totalmente alerta e consciente, e deixe de lado todos os pensamentos. Nesse intervalo a rosa revelará a realidade dela a você. Assim isso se torna meditação, uma meditação sobre a rosa. (...) Não pense – apenas olhe”.
(...)


“Bem lentamente, haverá intervalos de silêncio, e esses intervalos trazem novas brisas ao ser”.


Osho: Let Go! #8

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os dois tipos de silêncio - Heloisa Trad

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silêncio tem basicamente dois sentidos:

            a) EXOTÉRICO - exterior, superficial e objetivo:
            - Relativamente ao ambiente: ausência de sons, barulhos ou ruídos, de qualquer estímulo externo à audição.
            - Relativamente às pessoas: estado de quem se cala, privação de falar.

            b) ESOTÉRICO - interior, mais profundo e místico:
            - Suspensão dos atos subjetivos de manifestação e expressão do ego: basicamente, suspensão do pensamento na acepção comum do termo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Hoje preciso - Heloisa Trad

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Hoje preciso
de recolhimento,
de solitude,
de paz
e quietude,
em silêncio.

Hoje preciso
ignorar o mundo a minha volta,
que chama aos gritos,
que exige,
que controla
e nos anula.

Hoje preciso
pensar, refletir,
encontrar o meu eu
tomar ciência de
desejos e sonhos
só meus.

Hoje não quero falar,
Não quero outros ouvir,
Quero mesmo é ser eu
Em silêncio, no silêncio
- plenitude do ser!

Cocais, outubro/2010
Heloisa Trad

Grito e Silêncio - Heloisa Trad

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"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons".

O grito dos maus assusta
tanto quanto o silêncio dos bons
dos que omitem,
dos que se omitem
na calada da noite
no burburinho do dia.

Perigo, amigo, perigo!
Esse campo de sons movediços
guarda segredos abjetos
estímulos subliminares
que induzem a alienação
do que realmente se deseja.

Se acautele dos oradores
portadores de "verdades"
sedutores com palavras vãs
hipócritas carismáticos
que intimidam e guiam
os ingênuos encantados.

Se acautele dos ouvintes
dos deuses da terra
dos adorados e adoradores de barro
dependurados na corda bamba do céu
pela sede de poder dominados
vendo pobreza como riqueza.

Se acautele dos silenciosos
que ocultam mistérios profanos
verdades salvadoras
mentiras avassaladoras
pelo medo, pela covardia,
pela inveja dos homens de bem.

Cocais, setembro/2007
Heloisa Trad

O Silêncio em A Vaca e o Hipogrifo - Mário Quintana

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"Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio..."

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

Não tenha medo do silêncio! - Flávio Bastos


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"Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la. Existem muitas vozes além das nossas. Muitas vozes. Só vamos escutá-las em silêncio..." (Chefe Sioux)
  
O excesso de informações, ruídos e sons humanos que invadem a nossa vida, são responsáveis, em boa parte, pelo cansaço físico e mental sentido no final de um dia de trabalho ou de estudos.

Sem percebermos, surgem sintomas sinalizando que alguma coisa não anda bem na nossa saúde. Porém, apesar do sinal emitido pelo organismo, não diminuimos o ritmo da "máquina" e continuamos dando força máxima no encalço dos objetivos a serem alcançados. Voltamos para casa, no fim do dia, mas continuamos envolvidos em problemas e cercados de sons humanos, ruídos e informações eletrônicas.

No dia seguinte, a má qualidade do sono em uma noite mal dormida, é compensada por doses de café, onde a cafeína tem a função de manter o corpo e a mente "ligados" para mais um dia de trabalho. E lá vamos nós para mais uma batalha na cidade, rodeados de barulho por todos os lados...

Ao chegarmos no local de trabalho, a pressão sobre o nosso corpo e a nossa mente, segue impiedosamente: pessoas que falam alto ou gritam. Informações e mais informações que temos de dar conta na tarefa a qual executamos. E os ruídos que vem do ambiente externo a penetrar em nossos ouvidos.

Mais doses de cafeína para reanimar a máquina humana que não pode parar de pensar e executar. Logo, surge a tradicional dor de cabeça de "horário marcado", ou a tonturinha passageira, ou ainda, a sudorese de origem desconhecida, mas sem maiores consequências imediatas...

Até o momento que o organismo, como um todo, não aguenta mais e entrega os pontos através de somatizações traduzidas em desequilíbrios na saúde por estresse, ou seja, esgotamento físico e mental. É o colapso!

Portanto, antes que o colapso aconteça, a "terapia" do silêncio para quem tem uma vida agitada nos centros urbanos, é de grande valia no sentido de disciplinar - ou reeducar - a mente para alcançar o bem-estar vital.

As compulsões no falar e no agir são as grandes vilãs da saúde do homem nos tempos modernos. O ser inteligente, precisa entender que o sucesso material por si só é vazio, e o vazio interior se preenche com consciência de si mesmo. E nessa direção, o indivíduo que apresenta traço compulsivo em seu comportamento diário, deve curar esse desequilíbrio psíquico-espiritual através de um melhor nível de autoconhecimento. Conhecendo-se melhor, ele terá um melhor controle sobre as suas emoções, que quando desequilibradas, tornam-se o combustível dos comportamentos compulsivos de característica obsessiva.

O silêncio como aprendizado gera a paz interior tão necessária nos dias atuais. E o exercício da paz interior começa pela consciência de si mesmo, isto é, a percepção de si próprio inserido em um contexto universal e interdimensional chamado vida.

As psicoterapias que lidam com a natureza interdimensional do ser humano, a meditação e as religiões que pregam a reencarnação como inerente ao indivíduo dotado de inteligência, livre arbítrio e imensa capacidade de expansão da consciência, são as bases de um processo de autodescobrimento e cura de traços obsessivos e compulsivos que o espírito traz de outras vidas e que devem ser elevados à luz da consciência.

A sabedoria dos índios norte-americanos, fundamentada em uma cultura multisecular, ilustra o que precisamos aprender a respeito do silêncio como mestre. Para eles, o silêncio era um "velho conhecido" por ser mais poderoso que as palavras faladas. Gerações e gerações de índios foram educados na escola do silêncio. "Observa, escuta e logo atua", diziam os anciães para os jovens índios. "Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos. E então aprenderás. Quando tiveres observado o suficiente, então poderás atuar".

Chandra Mohan Jain, um professor de filosofia mais conhecido mundialmente como Osho, que entre outros ideais, pregava a busca da liberdade pela meditação, deixou-nos uma interessante mensagem sobre o silêncio: "Neste mundo barulhento, nos acostumamos aos gritos e sons, e muitas vezes diante disso nos viciamos em terapias que visam exclusivamente a catarse. Então, por um momento acontece. O silêncio baixa e percebemos o silêncio amoroso de simplesmente ser. Tão gostoso, tão único porque tão sutil e raro".

Não tenha medo do silêncio. Faça do silêncio o seu mestre. Adote, pois, o silêncio interior como ferramenta de seu autoconhecimento. Silêncio que deve transitar livremente entre o inconsciente e o consciente, libertando-a para que torne-se uma pessoa mais realizada e feliz.

Flávio Bastos 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cansada em silêncio - Heloisa Trad

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Há muito que necessito do silêncio
me afastei do dito social,
me afastei de grupos,
de lugares movimentados,
de relações que nada me dizem...


Telefone eu atendo,
e-mails escrevo pouco
chats? – Nem pensar.
falar o quê?
para quem?
para quê?
das insanidades do mundo,
da Terra, do Brasil...
me afastei!


Estou cansada
há muito tempo...
Hoje falo com poucos e pouca coisa.
Não quero ser nada.
Não quero ter nada.
Não quero nada!


Não busco ter razão.
Não procuro ser boa.
Não mostro ter algum conhecimento
e muito menos saber para alguém.


É isso. Só isso.
O resto é silêncio...
Silêncio que me conforta,
me alimenta,
me fala,
me ouve...
E cansada, sigo o caminho
iluminado por ele.


Cocais, abril/2009
Heloisa Trad

Simplesmente ouça

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"...eu não estou pedindo para você concordar comigo. Simplesmente ouça, não se incomode em concordar ou discordar. Se você apenas fizer isso, algo mágico acontece.

Se a verdade está no que está sendo dito, você será envolvido, seu ser inteiro será puxado como essa fumaça que vem para a minha boca através da pipa. Você se funde e se mistura com o que é dito, como o fumo sagrado, o fogo e a fumaça. Seu coração sente que "isso é verdadeiro", sem nenhuma razão. Confie! A confiança é a porta que o levará ao Grande Espírito. Não peço que acredite, pois uma crença pertence à razão, e é isso que você tem feito até agora: pensar a respeito, sem experimentar. Confie! Simplesmente coloque de lado todas as suas defesas, suas armas. Você já fez um pouco, ao entrar em minha cabana! Você confiou em mim, suas armas estão do lado de fora. Agora, torne-se vulnerável, pois quando você escuta alguma coisa de peito aberto, escuta tão totalmente que algo muito forte chega até você, não importando se é verdadeiro ou não. Quando você está totalmente vulnerável sua razão fica de lado, como suas armas, e o que é verdadeiro em você fica disponível. Se o que está ouvindo não for verdadeiro, você sabe. Se for verdadeiro, você também sabe! De alguma maneira, você sabe! Porque a verdade já habita em você, desde sempre. Quando ela se percebe ressoando no que está sendo dito é como se um tambor fosse tocado. Você toca um tambor e os outros tambores por perto vibram em conjunto. Um sentimento de plenitude toma conta de você e você sabe: é isso! De repente, tudo se encaixa, tudo fica claro, a confusão se vai... As nuvens do caos se dissipam e o céu estrelado fica todo disponível. As palavras perdem a importância. Você começou a ouvir o silêncio entre elas. Você está em casa..."

White Goose

Afluentes do silêncio

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o mutismo
a meditação
ausência de pensamento
e de sensação

deságuam no mar
do indizível
desconhecido
a saber

levam
da prisão a libertação
da admiração a negação
ao saber

o poema
o poeta
fluem intermitentes
água abaixo

inundam praias
encaracolam ondas
gigantes
pequenas
marolas

banham valentes
afogam incautos
habitat dos que nadam
da cabeceira – uma alma –
a foz – a Alma.

Cocais, julho/2008
Heloisa Trad

Significado da palavra silêncio



Muitos textos sobre o significado da palavra silêncio. Algo como comentários sobre uma foto do Monte Everest... Alguns o identificam como a ausência de ruídos. Outros o identificam como isso. Ou como aquilo. Não importa. Comentários indiretos são possíveis. Deste ponto de vista acho que a música é um instrumento que o ressalta maravilhosamente. Ou pelo desejo de silenciá-la no caso de pagodes ou funks ou por ressaltá-lo divinamente em melodias repletas de apontamentos silenciosos ao vazio intervalo entre as notas. Beethoven era um mestre nesta arte. Ou por tornar-se surdo ao longo e durante seu processo criativo ou por perceber a inutilidade dos sons ante a magnificência deste silêncio avassalador. Poucos maestros após sua morte entenderam isso e aqueles que o perceberam foram considerados tão geniais quanto o mestre. Herbert von Karajan foi um deles. Há um vídeo de um ensaio da Filarmônica de Berlim onde ele interrompe o ensaio para dizer a um violinista da terceira fila que "naquele intervalo não havia nota a ser tocada e que isso era o sagrado daquela sinfonia!". Fora da música talvez, apenas talvez, seja mais difícil. Como as letras, que precisam de uma folha branca para se destacar, ele precisa de sons para ser desejado. Este é o seu paradoxo.

Se perguntarmos para o surdo o que é o silêncio ou perguntarmos para um cego o que é a luz a resposta não será a mesma? Estas não deveriam ser as questões básicas de um buscador? Não sei... Quando ouço que alguém está em busca do "seu silêncio interior" são estas questões que surgem. Mas entendo e percebo que as interpretações do seu significado sejam as mais variadas. Cada um busca aquilo que consegue entender, ou aquilo que aprendeu até então. E esta é a dificuldade na transmissão do que quer que seja. Osho dizia que a única forma de transmitir algo seria através da "transmissão especial", a transmissão sem palavras, algo que a física moderna tangenciou...
   
Cevando mais um chimarrão (para mim a fonte de toda a sabedoria do Universo...), ouvindo o II Movimento da Pastoral de Beethoven refletia sobre estes pontos. Sobre a bancada onde a gata que compartilha o espaço conosco pratica seus "exercícios anaeróbicos" diários virando-se muito, mas muito lentamente de um lado para outro, havia um livro. Peguei-o. Num texto de um mestre Zen japonês li a mais clara definição do significado da busca pelo silêncio da mente, mas ainda era mais um koan do que algo explícito em si. Curto pesquisar as origens das coisas. Peguei o notebook e fui pesquisar a etimologia da palavra "silêncio", em japonês. Apareceu novamente o ideograma, que havia visto no livro do mestre Hakuin. Ali ficou claro: um ideograma vale mais do que mil palavras. 

A caligrafia do ideograma que representa o silêncio é composta de duas partes: uma parte significa preto/escuro e a outra cachorro. Por que estas duas palavras juntas significam a busca pelo silêncio? No dicionário etimológico japonês apenas consta que "numa noite escura, um cachorro preto corre atrás de um homem"... Beautiful!

Isso é a busca pelo silêncio! Era esta a imagem que havia sido transmitida pelo texto! E pela sinfonia que continuava impregnando a sala com sons compilados do silêncio ensurdecedor da mente beethoveniana. Imagine a cena: numa noite profundamente escura podemos ver (pelo menos nas noites existentes aqui no interior de Viamão) quase nada. Se um cachorro preto corre atrás de um homem numa noite escura, ambos não podem ser reconhecidos pelo outro. Nenhum vê o outro, apesar de um grande movimento ser perceptível. É o mesmo movimento descrito nas grandes sinfonias. Você não o vê, mas sabe que ele acontece. Você não vê onde ele acontece, mas sabe que ele acontece em algo imutável que permite que ele aconteça...

Alguém  tentando ficar em silêncio traz este mesmo significado em si. É um cachorro - que não é visto - correndo atrás de algo que não vê. Quem corre de quem? Qual a direção da corrida? Não é apenas um movimento acontecendo?

Esta é a representação da busca da mente pelo silêncio. Que só pode ser o silêncio da própria mente! O barulho ensurdecedor de algo tentando silenciar-se. Nesta tentativa de eliminação, o ruído aumenta na mesma proporção. Perfeito! O silêncio em si não necessita de explicação. O que talvez necessite ser explicado é a razão da necessidade de buscá-lo. Ou de explicá-lo!

Algumas perguntas podem ser feitas. Quem percebe o ruído? Quem se identifica com este ruído? Quem tem a necessidade de interromper este ruído? Onde este ruído acontece? A quem este ruído perturba? O que aconteceria (e a quem) no silêncio absoluto? 

E finalmente: a mente é suicida? 

Fonte: temazcal.com.br

Eu Sou o Silêncio



Eu Sou o Silêncio...
Cale-se, aquiete-se,
dê um salto pela fé
entregue-se
e revele-se em mim...

Eu Sou o Silêncio...
onde você é o amor,
livra-se da dor
e é Quem Você É:
o Tudo, o Todo, o Senhor!

No silêncio
a expiação acontece
possibilitando a expansão,
o encontro com a essência,
o amor e a salvação.

Eu Sou o Silêncio
prenhe de possibilidades.
Eu Sou Você
a sua completeza,
encontrada nessa oração...

Cocais/2006
Heloisa Trad

Sobre Silenciar e Falar



"Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele. Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento. "Observa, escuta, e logo atua", nos diziam. Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes. Observa os anciões para ver como se comportam. Observa o homem branco para ver o que querem. Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás. Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando. Dão prêmios às crianças que falam mais na escola. Em suas festas, todos tratam de falar. No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes. E chamam isso de "resolver um problema". Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos. Precisam preencher o espaço com sons. Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.Vocês gostam de discutir. Nem sequer permitem que o outro termine uma frase. Sempre interrompem. Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive. Se começas a falar, eu não vou te interromper. Te escutarei. Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo. Mas não vou interromper-te. Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante. Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei. Terás dito o que preciso saber. Não há mais nada a dizer. Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês”.

Silêncio e Verdade

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No silêncio está a verdade.
A verdade absoluta está no silêncio absoluto.
Deus, o Absoluto, é a verdade.
A existência, a Vida, é a verdade.

Eu Sou em silêncio.
Eu Sou no silêncio.
Eu Sou a silenciosa verdade.
No Silêncio eu VIVO e tenho o meu Ser.

Cocais, agosto/2007
Heloisa Trad

O silêncio representa - Max Diniz Cruzeiro



"Representa um estado sonoro em que o receptor não encontra correspondente audível que interfira sobre si ou ao meio ambiente. O silêncio por vezes é a representação do vazio, da ausência de algo, de um termo, de outro elemento figurativo como outra pessoa. O Silêncio pode expressar sonoridade dependendo do referencial. Também pode ser uma figura de linguagem tangível e tácita, real ou imaginária...

No meio ambiente o silencio é muitas vezes referenciado ao fato de não ouvir elementos modificadores humanos sobre o meio. Um ambiente é dito em silêncio neste caso mesmo que pássaros estejam cantarolando. Pois eles compõem o ambiente natural. Ouvir o silêncio da natureza.

Não existe o silêncio absoluto no meio ambiente, mas existe o silêncio audível. Toda vez que ocorrer uma transformação na natureza mesmo que imperceptível um som é produzido, ou seja, pelo deslocamento, pela reação de componentes químicos, pela interação de fatores, etc. É possível o silêncio absoluto em situações de experimento condicionado, onde os fatores de reações são cuidadosamente controlados.

O que é audível para um pode ser imperceptível para outro. Os seres vivos têm diferentes capacidades de percepção do meio em que vivem. Determinados répteis conseguem ouvir utilizando sonares como referência, pois não possuem o sistema auditivo em funcionamento.

O ruído é uma percepção sonora não ordenada que geralmente causa incômodo ao receptor. Na ciência convencionou chamar de ruído branco uma interferência aleatória sobre uma massa de dados específica que não necessariamente seja som a variável em estudo.

O som na realidade é a vibração de um objeto físico que gera um efeito em cadeia sobre o meio pelo qual se encontra. A oscilação do objeto faz com que as partículas atmosféricas se desloquem em seqüência ativando a percepção dos receptores também por vibração de sensores orgânicos que interpretam a sonoridade.

Pode-se dizer que o silêncio também é a não ativação dos sensores orgânicos que interpretam o ambiente. Indivíduos com problemas de surdez conseguem ouvir pelas habilidades vibratórias da pele humana. Portanto não dispõe da capacidade de silêncio absoluto.

Para um som ser audível é necessário, aos ouvidos dos seres humanos, de 20 Hz à 20 kHz (Hz = Hertz). Futuramente o homem desenvolverá equipamentos de surdez de base vibratória que capta o som do ambiente transforma em vibração. O aparelho ligado à pela humana transmitirá a sensibilidade para o cérebro que identificará as freqüências cada vez que o instrumento vibrar na mesma intensidade. É natural que um instrumento deste nível tenha padrões de diferenciamento cíclico que permita registros distintos para diferentes componentes como: distância, entonação, gravidade (grave/agudo), equalização e georeferência.

Já o silêncio poderá ser atingido com equipamentos similares onde uma capa protetora sobre o ouvido conectada com sensores ao cérebro humano (tecnologia já existe em vídeo-game) irá determinar qual som e intensidade dele irá provocar um feito de diminuição da conectividade cerebral deixando a percepção da mente em estado de meditação. Entenda por meditação a ausência de canalização de estímulos que geram ações cerebrais.

Algumas empresas como construtoras atualmente possuem equipamentos para a geração de silêncio. Geralmente em grandes construções o ruído é bastante significativo. Tais geradores vibracionais jogam na direção do ruído um contra-ruído capaz de neutralizar as vibrações que geram som. Nem toda a vibração gera som, mas todo som é proveniente de uma vibração inicial. Até que provem o contrário.

A comunicação é uma forma inteligente para a utilização da propagação do som. Ela ocorre tanto no reino animal quando no racional. Quanto às plantas existe uma corrente de pesquisadores que afirma através de estudos científicos dizer que elas tem capacidade de responder a estímulos vibratórios.

O silêncio na comunicação é um advento de inúmeros fatores. Ele pode ocorrer quando um indivíduo induz outro a responder o que não sabe. A mente neste caso trava e a resposta não sai. Ou pela vontade do receptor que não quer emitir um som para se expressar. Ou pela mudança no foco de atenção. Ou...

Pode existir comunicação em silêncio. É o caso do uso da mímica como forma de expressão. Com a mímica não há necessidade de vibração do emissor para o receptor desenvolver um diálogo.

O silêncio pode referir-se também do fato do receptor se ausentar em relação ao emissor. É o caso de uma orquestra que necessita de concentração para poder desenvolver sua composição sonora. É necessário neste caso por parte do receptor que ele fique em estado catatônico, ou seja, ausente e vá recebendo a sonoridade ambiente desenvolvida pelos instrumentos.

Ser silencioso também pode representar falar baixo. Numa entonação e freqüência que não interfere sobre o meio. Ambientes assim as pessoas costumam aproveitar os sons naturais e se expressam pausadamente apenas o necessário para sua realidade. Um exemplo clássico são restaurantes europeus de fino trato com o cliente.

O silêncio pode advir com a falta de estímulos bem como o excesso deles. Por falta o órgão auditível é incapaz de ser ativado. Por excesso ele fica travado e não consegue reproduzir a faixa vibratória para que o cérebro codifique e leve a informação para os neurônios.

A música é uma expressão lúdica para o som. Uma essência capaz de amortizar a percepção sobre os corpos físicos. Já o silêncio é se entregar para o abstrato, não ter a percepção de mente ativa, é uma espécie de indução ao vazio complexo. O silêncio também é música, pois ele deixa a eternidade aflorar sobre a mente.

O princípio da criação da matéria, antes dela existia um grande vazio, era um silêncio que contemplava o infinito hipotético. Depois que a energia se condensou na forma de matéria surgiu o atrito, assim nasceu as primeiras escalas sonoras do universo. Este parágrafo é uma conseqüência lógica da Física do Universo.

O silêncio é falta de ação física que produz o efeito de atrito entre duas ou mais substâncias. O atrito por sua vez produz um campo de ondas que pulsam numa direção e angulação definida. O silêncio também pode ser uma coordenada onde o campo de ondas que se propagam no espaço já se dissipou. Ou ainda uma coordenada onde a propagação do campo é neutralizada por outra onda magnética de igual intensidade.

Silêncio está relacionado à métrica no sentido que é possível definir a dimensão da propagação atmosférica do mesmo. Quanto à intensidade é possível classificar em Hertz um nível não audível para sua definição. Aquele conceito é relativo à área em que o fenômeno estabeleceu como também ás particularidades sistêmicas de cada caso específico. A medida em Hertz tem grande aplicação prática sendo utilizada como indicadores de atividades em relação a externalidades causadas pelo excesso de ruído ou barulho, como também a definição de taxas de conformidade para lugares em que o som deve ter freqüência máxima definida segundo alguma legislação. Quando a definição de áreas de silêncio medindo a dimensão da propagação atmosférica pouco ainda se tem em termos instrumentais para a realização de medidas adequadas para tal finalidade (criação de zonas de silêncio).

Silêncio sinônimo de inatividade, o conceito quando empregado neste sentido é empregado largamente para resguardar áreas onde o trabalho humano excessivo não deve perturbar a ordem e tranqüilidade do meio ambiente. Existem duas formas de inatividade: permanente e temporária. A permanente é aquela em que a interferência humana deve ser controlada. Aqui não é permitido que os indivíduos acessem locais reservados a outras atividades não humanas. No caso de uma atividade temporária é definido um tempo, geralmente diurno onde a atividade pode ser exercida. Passada a fase de execução do trabalho, o serviço deve ser colocado à margem dando lugar a outras atividades humanas como, por exemplo, o repouso.

Zona de silêncio é a área que é protegida por lei para resguardar direitos, sejam eles humanos ou relativos ao meio ambiente. Uma zona de silêncio pode surgir da contribuição do homem a uma espécie de aves que por determinadas condições de intensidade de som sofre estresse em seu habitat natural prejudicando assim a reprodução da espécie.

Em termos de tecnologia ainda não foi possível (2008) captar ondas eletromagnéticas sonoras dentro da troposfera (até 14 Km da terra), mas com o aperfeiçoamento dos equipamentos muito em breve será possível utilizar um fecho eletromagnético que disparado de satélite perceba as pequenas variações sobre o campo gravitacional retornando freqüências de rádio para o satélite que codificará a leitura convertendo em sonoridade os dados coletados por níveis de distância em relação à parte térrea do planeta. A LenderBook acredita que o segredo para o desenvolvimento desta tecnologia está na emissão por parte do satélite de emissões diferenciadas de faixa eletromagnética que identifica níveis da troposfera em relação ao retorno das ondas eletromagnéticas. Em outras palavras significa dizer que a intensidade do feixe deve variar em nanosegundos segundo o exemplo do vetor: {x, 2x, 3x, 4x,...,nx} onde x é uma freqüência em Hertz que a onda é lançada enquanto que o retorno da onda será dado pelo vetor: {som Nível 1; som Nível 2; som Nível 3; som Nível 3;...; som Nível n} entenda por Nível uma medida em metros onde o som foi coletado da troposfera.

Silêncio e a paz de espírito caminham juntos na maioria dos casos. O silêncio da alma é o fim de todas as inquietudes e imperfeições. É a elevação do conhecimento espiritual que faz o homem ter plena consciência do que é e sua função como ser vivente no planeta. Muitos acreditam que com este tipo de silêncio é possível ouvir a voz de Deus dentro de si. Na paz de espírito reina a felicidade da alma. A felicidade não emite som, ela é regida pela lei do silêncio.

O som tende ao silêncio no infinito, pois à medida que as ondas de propagação se espalham tendem a encontrar barreiras que as fazem perder intensidade. Este fenômeno é menos perceptível quando se trata de freqüências que vagam o infinito espaço cósmico. Pois as barreiras segundo as leis físicas são mais difíceis de serem encontradas e encontram-se concentrada na forma de corpos celestiais. Esta propagação dá uma idéia de resistência física dos corpos. Este campo de trabalho é muito complexo, a LenderBook avalia que no milênio de 3000 seja possível quantificar matematicamente a resistência sonora num sistema fechado onde existam mais de 1 milhão de variáveis que compõem uma determinada situação hipotética. Atualmente faltam recursos computacionais que permitam elaborar os cálculos e chegar a conclusões tão complexas. Embora as metodologias estatísticas atuais são suficientes para a resolução de problemas desta natureza.

Neutralização do som como foi dito antes já é possível em nosso tempo (2008) com bastante prática na indústria. Agora a propagação dirigida ainda é algo para o futuro. Quando um determinado som é emitido ele tem uma circunferência de 360 graus de propagação caso não encontre uma barreira física na direção em que ele é transmitido. O som dirigido é aquele em que é possível escolher uma determinada angulação em que o som irá aparecer (Exemplo: 20 graus a oeste e 10 m da base numa intensidade de 15 k Hetz), nos demais ângulos o ambiente estará em silêncio não sentido a influência da propagação sonora para um determinado foco.

Existe o silêncio interno e o silêncio externo. O primeiro diz respeito ao ato de pensar. Quando os pensamentos se aquietam o indivíduo está em silêncio. Repare que é possível um indivíduo estar em silêncio interno e ao mesmo tempo emitir som. Acontece que o reflexo neural é canalizado para o centro da fala onde ativa quase que instantaneamente outras zonas cerebrais que têm disparo imediato em relação ao contra-estímulo aplicado. O silêncio externo ao indivíduo é quando ele não utiliza a fala para se expressar nem tão pouco o tato (por exemplo bater palmas). O fato de um indivíduo estar externamente em silêncio não significa que internamente também o esteja. A multiconectividade neural permite variações de contra-estímulos neurais na ativação dos sentidos humanos.

Greve do silêncio é um artifício muito utilizado por alguns ativistas com causas definidas. Geralmente tais pessoas são detentoras de algum conhecimento ou para punir um determinado grupo abre mão do direito a comunicação para expressar seu inconformismo em relação a eles. Tal prática entrou no século XXI em desuso, porém ainda existem casos em que sua freqüência pode ser medida.

A clausura é uma forma de manter o silêncio também e reservar o ato da comunicação apenas com o que for estritamente necessário ao contato com o criador. Aqui surge como uma intenção, ou uma opção de vida por parte do adepto religioso que busca a harmonia com o divino e abdicação do profano em busca da perfeição e vida eterna.

Outro exemplo clássico de culto ao silêncio são os diversos ensinamentos dos Monges Tibetanos. Eles possuem práticas milenares de exercícios mentais que reduzem a atividade neural para o nível básico de sobrevivência desativando os estímulos externos que permitam a dispersão da mente. Tais técnicas isolam o indivíduo do contexto do ambiente externo. É como se o ser passasse para outra dimensão, interna. Mesmo que se no meio onde o corpo do indivíduo estiver uma sonora festa, seu interior estará vazio, iluminado, sereno, em paz e em silêncio.

O referencial sonoro reflete o estado que um ser se encontra. Baseado no que foi exposto no parágrafo anterior é possível deduzir que o estado relativo a percepção difere de acordo com o foco e referencial. Assim, alguém pode estar em uma festa e estar em estado de silêncio, como também estar meditando e ter um turbilhão de pensamentos ou estar prestando atenção na conversa de duas pessoas próximas (estado sonoro).

O medo do silêncio é uma agonia que certas pessoas adquirem associados ao fato de não quererem ficar sós. Muitas pessoas pensam que o silêncio neste caso é um passo para a morte. O término de uma vida. O medo remete a agonia pela não ativação dos estímulos. Sendo sua falta o que promove o silêncio. Este aspecto psicológico é de fácil observação principalmente nas culturas ocidentais. O que difere do modo de pensar da cultura oriental conforme exposto no parágrafo anterior. Para o ocidental do senso comum o silêncio gera uma inquietude que perturba a mente na busca de algo a se prender.

O silêncio visual é um tipo de silêncio onde os estímulos da visão não conectam com o íntimo de um indivíduo. Imagens também são freqüências e diferem do som em relação à forma de interação. O silêncio pode ser referido também a outros estímulos em seu sentido conotativo, pois reflete a uma inabilidade na ação deles. É coerente tais conceitos uma vez que todos estão integrados e a canalização de um interfere sobre o outro. O comum, devido aos baixos recursos tecnológicos é estudar cada sentido isoladamente não permitindo uma conectividade conceitual entre diversos componentes até então visualizados como coisas distintas. É possível que um determinado som projete um silêncio visual na mente de um ser humano como também é possível que um determinado estímulo visual aquiete a mente deste mesmo indivíduo deixando-o em silêncio sonoro.

O silêncio pode ser tratado como um senso a seguir. Uma regra social que norteia as relações entre os indivíduos. Neste caso está ligado ao comportamento onde existe a hora exata para se expressar e a hora para permanecer calado. Pode significar também o nível tolerado em que um indivíduo pode se expressar sem prejudicar o direto de outro indivíduo de permanecer em silêncio segundo o ambiente ou dele se expressar sem que com isto sofra interferência de outra pessoa que está exercendo seu direito no mesmo ambiente.

O toque de recolher pode ser uma forma de conter massas manipulando seu silêncio. No qual um indivíduo impõe sobre outros sua vontade para impedir que os administrados exerçam algum direito que eles pressupõem ter numa sociedade. O ruído do toque de recolher é o distúrbio.

O silêncio é essencial para o desenvolvimento humano". 

Max Diniz Cruzeiro